domingo, outubro 08, 2006

Por mim

Não viverei entre cacos de vidro, entre navalhas, entre pontas de lança envenenadas de culpa. O que me pertence nasce e morre comigo, foi inventado em meus olhos e dorme sob mechas dos meus cabelos, se nutre do meu ventre. Não viverei entre víboras, entre escorpiões, entre ratos de lembrança. Não viverei aqui, à míngua, não tenho âncora, tenho asa. Não viverei entre lixo, entre restos, entre escombros do teu passado. O que sinto é profundo mas não traz em si a covardia de uma raiz fincada, sou móvel, líquida, fluida e instável, porque viva. Não viverei entre galhos, entre espinhos, entre as folhas mortas do que descartaste. Não tenho freios, tenho partidas. Não tenho sossego, tenho ardor. Não viverei entre areia, entre pedras, entre abismos de promessas que se foram. Meus trilhos se trifurcam, quadrifurcam... e eu sigo por todos eles. Não viverei entre miséria, água pouca, migalhas de desejo. Minha mesa é farta e eu mesma me darei de comer.

... ... patrícia antoniete ... ...

segunda-feira, outubro 02, 2006

Pra marcar na agenda

Foto: Dastaev Gomes


Nesta quarta-feira, as 21 hs, a banda potiguar PANGAIO apresenta o show Teísmo no Projeto Quarta Musical na Casa da Ribeira.

No palco a arte como um elemento de expressão sem barreiras de linguagens. Pangaio é a sintetização de poesia, experimentos músicais e gestos. Com uma proposta provocativa a banda levanta questionamentos sociais e existenciais da sociedade contemporânea criando uma música tocante e expressiva. Teísmo é um show pra ver e ouvir. Fica a dica, vale conferir!

Pangaio é: Jorge Negão (Experimentos percussivos), Allan Cedrak (Vocal e Performance cênica), Gabi Barbalho e Clara Pinheiro (back vocal e Performance), Pablo Jorge (bateria, Flauta), Vitor Girafa (contra-baixo) e Douglas (Teclados).

sábado, setembro 30, 2006

A cor da casa

Existe uma casa encantada

que fica no meio

da Vila Fantasia.

A casa, a um simples olhar

pode parecer só preto e branco

mas o que nem todo mundo sabe

é que ela ganha cor

com histórias que as crianças contam.

Uma hora parece amarela,

de telhado vermelho com portas e janelas.

Noutra tudo já muda

telhado tem cor de cascalho

porta tem cor de horta

E flores, muitas flores.

Cai à tardinha,

hora que criançada se reúne para brincar

e a casa fica ainda mais colorida,

com paredes furta cor

e desenhos colados por todas as partes.

Mas...se meninas querem amarelo-laranja

e meninos querem verde-limão

a casa vira uma fruta confusa

que todo dia passa por nova transformação.

Os móveis da casa? Estão todos no porão.

Junto com doces em compota

e adega de groselhas

onde aromas têm cor,

e cheiro sabor de flor

lugar de borboletas que descansam o sono das deusas.

E as crianças... ah, essas crianças!


................. renatamar....................

quinta-feira, setembro 28, 2006

Pensamento transitório

TeRrA que ocupa

eSpAçO
: SoLo
...

.........

...

EsPaÇo

que a TeRrA o c u p a : SiDeRaL



::: renatamar :::

segunda-feira, setembro 25, 2006

O vazio do intervalo

São somente palavras
v a g a s, s o l t a s
pronunciadas no intervalo
de d o i s pensamentos.

É apenas solidão
recolhida no ato
de escutar o silêncio.

- Entre duas coisas existe O QUÊ?

No e s p a ç o v a z i o de um
trago e outro
distraio-me observando passos.

...
Entrada e saída.
...
Chegada e partida.

S e n s a ç ã o d i s f a r ç a d a d e e m o ç ã o.


.renatamar.

Entre faixas

::: by FeLL :::

domingo, setembro 24, 2006

O que nos une

O que nos une é essa doce liberdade de saber que embora exista a dificuldade e os diferentes caminhos, desejamos e esperamos estar juntos novamente.

O que nos envolve é não temer o amor e amar de todas as formas possíveis. É ter certeza que os momentos foram compreendidos pelo outro da mesma forma. É já não necessitar do toque, porque podemos tirar da saudade o necessário para nutrir o amor. É a espera voluntária! É o prazer da liberdade! Desejar e ter. Querer e ouvir.

O que nos aproxima são as descobertas – as semelhanças e as diferenças!O encontro da alma, a pureza , o encantamento, a transparência de sentimentos..

O que nos completa é a imaginação. E como ela voa! Desvenda mistérios.Cria fortalezas. Me deixa rir. Me faz chorar. Me leva ao infinito ou me atira no mar da realidade.

O que nos controla é a paciência. A sabedoria da persistência. A espera pelo verdadeiro, pela entrega consciente. É a loucura das emoções. As misturas das sensações. As respostas das perguntas que nem precisamos fazer..

O que nos mantém é a fantasia do toque, do cheiro, da língua. O gosto de sentir o gozo do outro. O estado de espírito. A dedicação à alguém.

O que nos une é a lembrança, onde mesmo a presença solitária do outro basta para eternizar o elo.

.................renatamar..............

sábado, setembro 23, 2006

Kit ternura

Trouxe para você
um kit ternura.

Vem composto
de um beijo molhado e aquecido
no ponto ideal.
Para não causar resfriado
nem queimadura de terceiro grau.

Uma mordiscada
para ser usada por perto da nuca,
de preferência sempre perfumada;
um sussurro na orelha,
no lado de trás,
onde o arrepio se satisfaz;

um abraço tão justo, tão justo,
que o coração pode levar um susto
com medo de ser atropelado;

um carinho tão preciso
que lhe faça desvestir o juízo,
e de tal habilidade,
que, a cada recaída minha
de infidelidade,
possa servir como abono.

Um aviso
para ser colado à testa
e em toda fresta que você tiver:

"Tem dono".

.............isabel cristina..............

sexta-feira, setembro 22, 2006

Sempre existirão Outros enquanto existir Algum

Não sei se foram as palavras ditas ou o que apenas ficou subentendido.. mas a brincadeira de ser conhecer deixou nela fortes marcas. cores. gostos. beijos e a lembrança de uma noite de amor meio sem graça. Embora tenha sido gostoso tocar outro corpo, sentir outro cheiro, deitar com alguém sem intimidade porque são outros lábios sob o mamilo, outra pressão sobre a vulva .. outro .. outro .. e sempre existirão Outros enquanto existir Algum.

...........................renatamar..................................

quinta-feira, setembro 21, 2006