segunda-feira, setembro 10, 2007

página virada

" Estava bêbada de si.veio a ressaca. Sóbria, então, passou de pouco a sorver os outros. As roupas, os gestos, a alegria alheia à toa,os detalhes que faziam de cada um algo único e interessante, como ela queria ser. Colhia amostras e se reconstruía, como um quebra-cabeças de retalhos. Cores e texturas diversas - algumas combinavam, outras não -, tecidos de origens distintas - de lugares onde nunca esteve, outros de onde não quer jamais estar, outros de onde estaria se pudesse - muitos pedaços iam se juntando, formando a nova pessoa que gestava, a nova versão de si mesma. Feita de completudes e lacunas, dela e dos outros. (Ab)sorvia o mundo e se (re)formava. Seria a mesma, mas diferente. Assim se vira uma página, continuando o livro."

maya

quarta-feira, setembro 05, 2007

pequena

era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado.

gabriel garcía márquez

terça-feira, setembro 04, 2007

quinta-feira, agosto 30, 2007

Transe

entro em transe, transito
entro em transe, tramito
entro em trânsito em mim

entre em transe comigo
entro em transe, transmito
o que transita em mim

entre em transe, tramite
entre em transe, transite
no que transmito em mim.

angela castro | tiquinha rodrigues | concita alves

eu, transferindo o trânsito em mim.

domingo, agosto 26, 2007

'eu vou te samplear'

vou ligar pra lhe encontrar
encontrar pra perguntar
perguntar em que lugar você está
t e m p o r a r i a m e n t e

tempo área mente
desligado.
como posso suportar a
sintonia celular?

gustavo lamartine

sábado, agosto 25, 2007

dúvida


como você tira o meu cheiro das mãos ?

renatamar

sexta-feira, agosto 24, 2007

rosto em fuga

ombros pra descansar a cabeça.
pernas pra dividir a cama.
dedos que acende a chama.
boca que apetece a alma.
- (c)alma nos braços -
olhos de quem ama.


renatamar

quarta-feira, agosto 22, 2007

a gosto

Como um hiato às voltas com o escuro
pulsa o meu poema
e vibra frio vidro estilhaçado
numa ameaça de espanto que me ronda
Como uma espécie de arma, como um músculo
o meu poema me cerca
com gargalhadas de doido
com esperanças de cura
Ele me assusta me segura me defende
com uma mão de fantasma
contra a morte
O meu poema é um cio, uma dor que me cuida
um cão, uma mãe que canta
um corpo moreno e luta

iracema macedo

terça-feira, agosto 21, 2007

Dor

Você adoece meu corpo
me deixa frágil
com suas palavras fortes
e essa certeza assustadora.
me deixa perdida
com sua perseguição.
me cala pelo medo.
me afasta pela pressão.

Você entristesse minha alma
pelas mentiras que conta
pelos sonhos solitários
pela espera de algo em troca.

Você perdeu meu amor
e insiste em ter de volta.

renatamar

segunda-feira, agosto 20, 2007

MMC

2 universos paralelos
quando se apontam
nem sempre encontram
o que sonham.

2 universos paralelos
quando se encontram
nem sempre apontam
o que sonham.

2 universos paralelos
quando se sonham
nem sempre apontam
o que encontram.

renatamar